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16 de setembro de 2012

A vidas nas indústrias ACME

Primeiro que eu fiz muita entrevista. Fiz tantas, que no dia da entrevista para este emprego respondi de qualquer jeito, e ouvi a menina dizer Big Four sem saber do que se tratava, já que a vaga era confidencial.
Neste dia ouvi sobre uma vaga que nunca existiu de fato. A agência de emprego explicou que se tratava de uma vaga para um pool de secretárias e que se algum dia eu tivesse que ficar depois do horário, poderia trocar com uma das minhas colegas, já que parte do mês não posso contar com o Edu para pegar o bebê na escola.
A única coisa real da descrição dada é que atenderia um grupo grande de executivos, que no caso são 10.
Eu imaginei um lugar onde tudo era muito dinâmico, onde teria um papel importante, mas ledo engano.. não foi nada disso que encontrei. Nas indústrias ACME tudo é muito burocrático e moroso, as minhas atividades são quase robóticas... na verdade, todas as secretárias fazem exatamente as mesmas coisas e do mesmo jeito, assim, quando uma tem que sair de férias, pode-se colocar outra qualquer no lugar, sem prejuízo para os executivos atendidos.
Na entrevista disseram que tem um plano de carreira para o meu cargo, fiquei fascinada, mas chegando aqui descobri que o tempo médio entre um nível e outro é de 5 anos, outra coisa que observei é que se leva em conta mais o nível de inglês que a experiência das secretárias.
Como disse uma amiga minha, é absurdo que alguém com 14 anos de experiência tenha o mesmo nível de uma recém formada inexperiente!
Bom, como em todo lugar o pessoal que traz o dinheiro tem todos os benefícios e vantagens, mas o pior é que nós que somos reles mortais e não ganhamos nem o mesmo valor de refeição do que eles, recebemos emails com informações sobre o plano de carreira deles, acho absurdo receber cobrança de inclusão de metas no sistema de coaching, sem se quer ter um coach!!
Por outro lado tenho que agradecer, depois de um ano como funcionária pública e mais um ano de licença maternidade, estou num lugar onde não há correria e nem sangria para nada. Tenho uma coisa para fazer hoje, outra coisa para fazer amanhã, mas nada de mil coisas ao mesmo tempo e hora extra todo dia.
Tem dias que é tedioso, afinal imaginava a minha vida como quando eu era estagiária na GM... cheia de atividades, ligações, reuniões para organizar... Ao contrário, passo dias inteiros estudando ou enviando emails para as amigas.
Uma coisa que percebi é que não tenho o estilo deles, trocaria todos estes advogados e contadores por centenas de engenheiros... rs
Sinto saudades de falar um palavrão, de usar um jeans na sexta-feira e usar blusas da Hering com calça social para vir trabalhar. Engenheiros nem ligam se você usa Melissa para ir ao trabalho, mas contadores sim... Em teoria, sou obrigada a usar salto alto, acreditam? A sorte é que ninguém leva esta regra tão a sério e consigo vir de sapatilha umas 2 vezes na semana.
Acho que empresa tem que cobrar um traje apropriado, mas não me obrigar a usar salto, né? Acredito que minha competência seja mais relevante do que a minha capacidade de me equilibrar num salto 15.
Por tudo isso e muito mais que só sabe quem vive this life experience estou de olho no mercado e nos concursos.

13 de julho de 2012

Que bons ventos me tragam...


E é claro que se há mesmo um Deus, ele tem piedade da minha desaventurada vida, daí, às vezes, me manda dias de relativa paz.

Daí, aconteceu o inesperado e confesso que já estava pensando em um plano C: desistir JAMAIS!

Explico:
plano A - passar no TRE, não aconteceu com a classificação esperada;
plano B - arrumar um emprego de secretária num região em que meu trajeto de ida/volta não leve mais de 1hora;
plano C - ao final do meu segundo contrato com a Catho, se não conseguisse "B", voltaria a estudar para os concursos do judiciário.

Bom, aconteceu o "B", arrumei um emprego numa empresa grande, que fica a meia hora de metrô da minha casa, mais uns 10 minutos totais de caminhada entre casa/metrô e metrô/empresa. Perfeito, não?

O salário não é de R$ 5100,00, mas já faz valer a pena pagar o período integral para o Caio.

Aliás, isso tem me deixado com o coração apertado: ficar longe do meu pequeno por mais de 8 horas... será que eu consigo?

Ele, já é sabido que ADORA a escola, mas a mãe estará em fase de adaptação a partir de segunda-feira.

Para não deixar esta transição passar em branco, o Cara lá de Cima mandou uma bronquite para o Caio, daí, que ele não foi para escola ontem e nem hoje, daí, como era pouco, o Caio recebeu o diagnóstico de conjuntivite viral... É ou não é para eu duvidar que Ele está do meu lado?

Para se ter uma noção das probabilidades... o Caio não tem bronquite desde os 4 meses de vida!!! rsrsrsrs

O que eu espero é que o Cara me ajude a passar na experiência e ter dias mais calmos!

Tem um poema do Drummond que eu amo e que diz assim...

POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.


As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.


O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.


O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.


Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.


Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.


Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Junho

Junho para os Martinuzzos é sinônimo de muitas festas. Além das juninas, fomos em duas, são muitas festas de aniversário e este ano conseguimos participar de todas, amém.

Fora as festanças, foram entrevistas e busca pela diarista de ouro. Isso desgasta muito.

-Qual é a sua experiência?
-Aceita salário de R$1000? (Gentem, vocês sabem quanto custa para deixar o filho num berçário particular, minimamente decente? O salário deve compensar este custo, senão, não dá!)
-A vaga é para o Itaim Bibi e o salário é de R$ 5100,00, aceita? (Muito longe, não dá tempo de buscar o Caio na escolinha)
-Aceita vaga temporária?
-Olha seu inglês não é avançado, é intermediário para avançado. Você precisa praticar mais!
-Você não pretende fazer um curso de inglês para resolver esta pendência? (Quem vai pagar?)

É a treva, não?

Além disso, a minha ex-diarista vive doente não dá para chamar para limpar a casa uma pessoa que se diz com labirinte e cólicas renais, certo?

E achar alguém de confiança é muito difícil, pergunte para as amigas e descubra que apesar de ser de confiança, nenhuma delas estão contentes com os serviços prestados. As que estão pagam muito mais do que o praticado aqui na minha região e para alguém que está vivendo das economias aumentar os gastos com limpeza não rola.

Tentei fechar com a diarista da vizinha, mas ainda não consegui. Estou em negociação com ela desde o meio de junho, ela parece boa, tem o jeitinho da minha "ex", mas ela tem que sair da cliente e esta arrumou um problema de saúde e vive adiando a dispensa da diarista. Espero que até o final deste mês esta questão esteja resolvida, porque a diarista atual joga produto de limpeza pelo ralo, faz as coisas do jeito que ela faz nas outras casas e não do jeito que eu gostaria que ela fizesse, ela já detonou a pintura da cômoda do Caio, lascou a minha parede vermelha e nunca volta os móveis para o lugar que estavam.

Ainda bem que tivemos bolos e docinhos e muitas fotos do Caio brincando por aí.

27 de novembro de 2011

Dona de casa, eu?


Já faz um tempo e eu estava vendo uma reportagem no "plim-plim" quando, de repente, apareceu uma mocinha, no máximo uns vinte e poucos anos, ela falava sobre os problemas do bairro e embaixo do nome dela a reportagem escreveu "dona de casa".
Na ocasião fiquei cho-ca-da, como uma moça tão nova era dona de casa?
E não é que acontece?
Você tem lá os seus vinte e poucos (ou muitos) anos, daí, se casa, daí, faz um filho, daí, o emprego é uma caquinha (de nariz com rinite crônica!! rs), daí, larga o emprego, daí, quando você vê já é dona de casa!
Nada contra as donas de casa, mas é estranho alguém da minha idade se intitular desta forma. Acho que bate até uma vergonhinha, acho que falta a voz, abaixa a cabeça e disfarsa, sabe?
Outro dia mesmo me peguei falando como a minha mãe, quando era casada com o pai do Rodrigo e da Vanessa... "ah, não tou afim de ficar conversando com aquelas meninas (esposas de amigos do Edu), não tenho assunto com elas e tals."
Falei isso porque não tinha nada para falar, afinal, não rola ficar contando a última novidade na economia de luz ou como tirar aquela mancha da roupa do bebê, para pessoas que gostam de falar sobre como está o trabalho ou sobre como foi a aceitação de seu projeto pela chefia.
No mais, vou falar sobre o quê?
Sobre as muitas facetas da maternidade, sobre a minha quase desistência pelo segundo filho, sobre os mil planos que já fiz para um salário que eu nem sei quando vou ganhar?
Difícil.
O mais difícil é limpar tudo, lavar, cozinhar e nunca ver o fim do serviço... Quando o serviço é outro, você sabe que começa e vai terminar algum dia, ou que dependendo do que fizer, pode fazer uma outra coisa depois, diferente da primeira, mas aqui dentro desta casquinha não vejo outra coisa a não ser brigar com os meus cabelos que teimam em querer em se esparramar pelo chão recém limpo, que me fizeram desistir de deixar o Caio brincar no chão e colocá-lo num cercadinho.
Pobre Caio, às vezes, ele esfrega os dedinhos na tela e dá aquela impressão de preso de filme, que fica batendo a caneca de alumínio nas grades, sabe?
Minha mãe acha que a neura passa depois que eu voltar a trabalhar, será?

3 de outubro de 2010

Vivendo e Aprendendo

Dia nublado, digno de acordar bem tarde... e cá estou eu, mais um dia a espera de Caio.
Daí, que eu me lembrei de um comentário da menina que trabalhava comigo na Disoft, quando anunciei a minha demissão para o nosso grupo, ela disse que sabia que isso aconteceria porque eu não criei laços com o grupo.
Na ocasião me pareceu coisa meio sem sentido, que laços eu tinha com o povo da PASA? Todos, com direito a abraço do chefe mesmo tanto tempo depois da minha saída, de ombro amigo virtual das minhas amigas de ontem, hoje e sempre.
Mas na época nem me ocorreu que eu não criei vínculos ou dividi minha história com qualquer pessoa da outra empresa.
É claro que já aconteceu isso na minha carreira alguma vezes. Eu trocava de empresa por conta da motivação básica para qualquer adolescente: dinheiro. Depois ia ficando só até aparecer algo melhor e lá ia eu de novo... Num total de nove chegadas e despedidas!!
Talvez, só hipoteticamente, se eu tivesse em um outro grupo e tivesse desenvolvido o tal vínculo, cruzado a minha história com os demais, eu nem cogitaria procurar outro emprego, né?
Mas depois de quase 7 meses, eu entro e saio como se não precisasse voltar e nem precisasse dar tchau. É como ter o poder de um dia sair e ninguém teria como me localizar, afinal, alguém aqui tem meu celular ou o telefone de casa?
Sem vinculo a coisa fica meio estranha. Como se fossemos ilustres desconhecidos!!!